Hipnose

Medo e fobia: entenda as diferenças

Algumas sensações são importantíssimas para a sobrevivência do ser humano. O medo é uma delas. É comum se sentir um pouco apreensivo antes de fazer um voo muito longo, por exemplo; ou ter vertigem ao olhar para baixo, a partir de um lugar muito alto. Esses sentimentos são, na maior parte do tempo, temporários e gerenciáveis. Bem diferente da fobia, em a inquietação e o receio se transformam numa ansiedade persistente, que pode evoluir para o estado de pânico e paralisar o indivíduo, causando uma sensação de extremo mal-estar.

O medo é uma das nossas emoções mais primitivas. Ao identificar um risco, o corpo aciona uma quantidade maior de neurotransmissores e libera mais hormônios (como a adrenalina), que aceleram os batimentos cardíacos, deixam a mente alerta e preparam o organismo para uma reação rápida, como uma luta ou fuga. Já os sintomas da fobia também envolvem essas sensações, só que de forma excessiva. Os efeitos físicos e psicológicos duram mais tempo, são intensos e o maior problema é que afetam a qualidade de vida da pessoa.

Ficou curioso em entender as diferenças que existem entre o medo e a fobia? Sabia que a fobia, às vezes, é apenas um sinal de que algo mais profundo não vai bem? Sua curiosidade aumentou? Neste artigo, vamos explicar melhor como diferenciar o medo e a fobia e apresentar soluções para quem convive com o segundo.

Medo e fobia. O que são?

Como explicamos acima, medo e fobia podem até parecer similares, mas têm uma diferença fundamental: a ansiedade gerada pela fobia prejudica o bem-estar do indivíduo e inibe a sua capacidade de reagir a uma determinada situação. O medo é algo que todos nós vamos sentir em algum momento, em situações corriqueiras, mas é ocasional: vem e vai embora. As fobias são menos comuns e caracterizam-se pela aversão intensa e irracional em relação a determinado objeto, situação ou animal.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, referência para profissionais de saúde no mundo inteiro, classifica a fobia como uma patologia ou perturbação recorrente, dentro da categoria de Transtornos de Ansiedade. O medo, por sua vez, é considerada uma reação de proteção e não uma doença. Imagine se você não sentisse medo ao ver um bebê perto demais da piscina? Você certamente se desarmaria e um acidente poderia acontecer.

Ou seja, o medo é, na maioria das vezes, controlável, passageiro e vinculado a um estímulo real e imediato. Algumas pessoas praticam esportes radicais, por exemplo, trabalhando internamente o controle do medo e tomando medidas protetivas em relação ao risco inerente à atividade.

Já a fobia é incontrolável, costuma gerar o famoso “sofrimento por antecipação” e geralmente está ligada a uma realidade fantasiosa. O sentimento de medo ou repulsa é exagerado e costuma ser recorrente. Um animal selvagem ou venenoso certamente representa uma ameaça real digna de despertar medo, mas a pessoa que tem fobia fica apreensiva até mesmo ao ver a espécie em uma foto ou vídeo.

Uma pessoa com fobia costuma gastar um tempo exagerado se preocupando mais com o gatilho do que com o tiro. Passa todo o tempo traçando estratégias desnecessárias para se certificar de que não terá contato com essa fonte de medo. E pior: se não buscar ajuda, vai evitar ocasiões ou lugares em que esse contato poderia acontecer, mesmo que a probabilidade real do “encontro” seja remota ou inexistente.

A fobia atrapalha o convívio social a ponto de a pessoa reorganizar toda a sua vida para evitar entrar num elevador, ver uma aranha ou um gato ou até mesmo conversar com um desconhecido, por exemplo. E se, porventura, se deparar mesmo de longe com causa da sua fobia, a pessoa vai sofrer com altos níveis de angústia, náuseas, falta de ar e até ataques de pânico.

Há classificações diferentes de fobia?

Sim. As fobias são classificadas, geralmente, em três categorias:

  • Específica ou simples: causada por um objeto ou situação bem determinada, como viajar de avião;

  • Social: causada pela repulsa a situações rotineiras de convívio;

  • Agorafobia: causa pela aversão de estar em um lugar, geralmente público e cheio de gente, em que a pessoa considera ser difícil fugir ou receber socorro em caso de necessidade.

É interessante observar que uma fobia pode estar relacionada a outra, por exemplo: o medo de avião pode estar vinculado ao temor de lugares fechados ou até mesmo à fobia social (quando o passageiro sofre ao antecipar que passará algumas horas ao lado de uma pessoa desconhecida). Existem mais de 500 tipos de fobias e a estimativa é de que atinjam, atualmente, cerca de 13% da população brasileira.

Como surgem as fobias?

Ainda que o gatilho que desencadeia a fobia possa ser muito específico, nem sempre a causa desse sentimento é óbvia. Muitos especialistas acreditam que a maior parte das fobias começa na infância, como decorrência de certas situações que não foram bem resolvidas. Mas elas podem surgir também em momentos aleatórios da vida adulta. Podemos destacar três possibilidades frequentes para origem ou persistência da fobia:

  • Uma história traumatizante (mesmo que tenha acontecido com outra pessoa e você só tenha ouvido o caso);

  • Associação com uma experiência desagradável: quando uma pessoa está em um dia ruim, estressante, e acaba passando por uma situação específica, ela associa a angústia e o medo àquela ocorrência;

  • Uma experiência real, como a mordida de um cachorro ou uma turbulência mais forte durante o voo.

Há ainda indícios de que o transtorno possa estar relacionado também ao histórico familiar e seja influenciada por fatores genéticos.

Os sintomas da fobia também são variáveis, de acordo com a causa e o tipo, mas alguns sinais são mais comuns, como:

  • Pânico incontrolável em relação a uma situação de pouco ou nenhum perigo real, mesmo quando a pessoa tem consciência de que o pavor é irracional;

  • Necessidade de evitar a situação a qualquer custo, gerando dificuldade de levar a vida normalmente;

  • Reações físicas, como taquicardia e dificuldade para respirar, de forma intensa, duradoura e frequente.

Como saber se o que eu sinto é fobia?

Um fato curioso sobre as fobias é que algumas delas são facilmente identificáveis e outras não. Pense bem: é fácil identificar quem tem fobia de rejeição? Nem sempre. É compreensível que nenhum de nós goste de ser rejeitado e é normal não querer que isso aconteça. A diferença está nas atitudes tomadas para evitar a rejeição.

Uma pessoa que recebeu uma crítica e tem vontade de melhorar seu convívio pode procurar uma terapia, com o objetivo de mudar atitudes que ela considera antipáticas ou inadequadas. Já quem tem fobia é capaz de passar horas e horas diante do espelho, verificando minuciosamente cada detalhe da aparência, na tentativa de reduzir, ao máximo, o risco de desagradar. Pior: ela pode simplesmente abandonar o convívio social, procurando com isso afastar o fantasma da rejeição

Ou seja, isso pode afetar as relações interpessoais e é essencial identificar adequadamente uma fobia, pois um tratamento incorreto pode fazer com que a pessoa se afaste ainda mais. Esse isolamento pode acontecer de várias formas, como:

  • Concentração excessiva no trabalho e na carreira, reduzindo a dedicação às relações e situações sociais;

  • Relações sociais apenas superficiais;

  • Definição de metas para compensar a possibilidade de rejeição (ser o mais inteligente, mais bonito, mais legal).

Aceitar o problema, parar de ter vergonha e buscar o diagnóstico são os primeiros passos para o tratamento. O diagnóstico da fobia deve ser feito por meio de uma entrevista minuciosa com o profissional especializado, que saberá, por exemplo, diferenciar entre a fobia e a síndrome do pânico.

Os sintomas da síndrome do pânico são similares, mas eles aparecem de forma totalmente inesperada, muitas vezes sem motivo aparente e podem atingir o ápice em poucos minutos. Geralmente, a crise vem com a sensação de que uma tragédia, como a morte ou a perda da razão, vai acontecer.

Com avaliação correta, é possível identificar a melhor estratégia para tratar a fobia em questão. O tratamento, aliás, pode ser uma combinação de vários tipos de terapia. Uma depressão ou crise de ansiedade pode ter sido originada pela fobia, de forma que o acompanhamento profissional impactará positivamente o bem-estar do paciente, trazendo solução para vários problemas.

Existe tratamento para as fobias?

Sim. É possível tratar a fobia. O medo excessivo não precisa limitar a sua vida. O tratamento tem como objetivo reduzir a ansiedade, ajudando no gerenciamento das reações físicas e psicológicas características da fobia.

Nossas emoções e nosso comportamento são influenciados pela maneira como interpretamos os acontecimentos. Por isso, essas terapias são especialmente úteis para que possamos modificar nossa visão e controlar a fobia.

Entretanto, é importante sempre consultar um médico, pois só esse profissional pode verificar a necessidade de utilizar uma medicação, por exemplo, para auxiliar no controle desses sintomas. Lembre-se de que, se não forem devidamente tratadas, as fobias podem comprometer gravemente a vida das pessoas e levá-las a situações extremas, como isolamento total, insônia crônica, depressão e ingestão abusiva de substâncias prejudiciais à saúde.

Uma das modalidades mais comuns de tratamento é a terapia comportamental cognitiva, também chamada de terapia de exposição. De forma gradual, em um ambiente seguro e controlado, a pessoa passa a ter contato com a fonte da fobia. Para melhores resultados, esse trabalho deve ser associado a outras medidas, como as técnicas de relaxamento,e pode haver também a recomendação de alguns medicamentos. Em outras situações, só o tratamento alternativo e psicológico já é capaz de solucionar o problema.

Paralelamente ao tratamento, algumas atitudes podem ajudar na recuperação e na prevenção do aparecimento de sintomas. Saiba quais são:

  • Fazer exercícios regularmente, pois a atividade física ajuda a equilibrar a emissão de neurotransmissores e hormônios e é fundamental para melhorar sua qualidade de vida;

  • Ter boas noites de sono e, caso não consiga esse intento, procurar ajuda especializada para isso;

  • Caprichar no cardápio e adotar uma dieta saudável e equilibrada, evitando o consumo de bebidas alcoólicas e o excesso de substâncias estimulantes, como a cafeína;

  • Manter o foco e a disciplina no tratamento.

Hipnoterapia é indicada para tratamento de fobias?

A hipnose é um método seguro e eficaz, indicado por profissionais de saúde, como psicólogos, dentistas e psiquiatras, para auxiliar em processos de terapia. A Hipnose clínica ajuda a ampliar a consciência do paciente sobre o problema e abre caminhos para soluções que podem até acelerar o processo de tratamento. Isso acontece porque a hipnose recondiciona o inconsciente, ajudando a pessoa a enxergar e lidar melhor com a fobia e outros tipos de problema.

A hipnose clínica provoca um estado de consciência modificado, aumentando a receptividade à sugestão, o que proporciona a melhoria de vários sintomas causadores de fobias. O relaxamento ajuda a aumentar o foco na solução do problema, destravando conexões associadas a memórias ou situações traumáticas.

O tempo necessário para o tratamento varia de pessoa para pessoa e de acordo com o problema. A vantagem da hipnoterapia é que ela é capaz, após algumas sessões, de dissociar a causa da fobia e a reação exagerada que ela causa. É importante reforçar, entretanto, que o tratamento com hipnose clínica deve ser feito em clínicas especializadas, com hipnoterapeutas preparados e certificados.

E lembre-se: medo e fobia não são a mesma coisa, mas um pode desencadear o outro. Agora que você já sabe a diferença entre as duas sensações, compartilhe este texto nas suas redes sociais e ajude seus amigos que também podem ter curiosidade sobre o assunto ou podem estar sofrendo em silêncio!

 

 

Sobre o autor

Rede Clínica da Hipnose

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A Clínica da Hipnose é uma rede de Clínicas voltada para o bem- estar e equilíbrio emocional através da Hipnose Clínica. Hoje são 14 unidades no Brasil e 1 em Miami- Flórida nos Estados Unidos. Mais de 8 mil pessoas transformaram suas vidas com as técnicas empregadas.

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